A (falta) de identidade dos personagens

25 05 2009

Vocês devem ter notado. Ninguém tem nome em As intermitências da morte. Ninguém. Temos o primeiro-ministor, o cardeal, a filha, o genro, a tia solteira, o violoncelista, a máphia, a morte, deus. Todos denominados por papéis sociais, com letras minúsculas. Esta é uma constante na obra de Saramago. O Ensaio sobre a cegueira tem exatamente o mesmo recurso: a mulher do médico, o médico, o cão, o soldado. Ninguém tem nome e mesmo personagens que são entidades abstratas às quais nos referimos com a inicial maiúscula são referidos com as letras minúsculas. E, é claro, isto é abstolutamente intencional. Porque será? O que alteraria na obra Saramago identificar seus personagens com nomes? Qual a diferença entre referir-se com deus e morte e Deus e Morte? Que leitura vocês fazem disto?

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95 responses

27 05 2009
Isabella Quaranta

Saramago não identifica seus personagens com um nome para tirar a individualidade de cada um. Pode ser qualquer primeiro-ministro, ou qualquer cardeal, etc. E outro motivo é não alterar o foco do texto. A partir do momento em que temos, por exemplo, o primeiro-ministro José, passamos a utiliar utilizar durante o texto apenas José, tirando seu título, pois já se sabe que ele é o primeiro-ministro. Sem nomes, somos obrigados a retormar seu posto de primeiro-ministro para referir-se a ele.

A diferença entre deus e Deus e morte e Morte é que nesse caso ele atribui especificação.

“Na tarde daquele mesmo dia, como já havíamos antecipado, chegou a redacção do jornal uma carta da morte exigindo, nos termos mais enérgicos, a imediata rectificação do seu nome, senhor diretor, escrevia, eu não sou a Morte, sou simplemeste morte, a Morte é uma cousa que aos senhores nem sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja, vossemecês, os seres humanos, só conhecem […] essa pequena morte quotidiana que sou, esta até nos piores desastres é incapaz de impedir que a vida continue, um dia virão saber o que é a Morte com letra grande (…)” ( página 111 e 112 )

Com essa diferença de maiúscula para minúscula, Saramago mostra a Morte como um ser impiedoso que suga a alma e destrói tudo a seu caminho, que não poupa ninguém e leva todos para o sofrimento eterno. Enquanto a morte é piedosa, só tira a vida de quem merece, e pode atardar a morte de outras pessoas, etc.
A mesma coisa se aplica a Deus e deus. Enquanto deus é apenas a entidade que cuida de coisas pequenas, Deus resolve salvar e mudar grandes fatos e coisas que acontecem.

Isabella Quaranta 1º A

27 05 2009
Raphael Morant

É provável que Saramargo tenha feito isso para dar a entender que esses personagens não são importantes como indivíduo indivíduos, mas como uma representação da idéia ideia que ele nos traz eles nos trazem.

Essa representação faria com que quando lêssemos assossiaríamos com que, quando lêssemos, associássemos “o primeiro-ministro” a uma pessoa que se importa apenas com o problema do país e que vai falar e se vestir como um primeiro-ministro “completo”.

27 05 2009
Artur Dubeux

Na minha opnião, o autor não dá identidade para os personagens porque os nomes não tem têm importância no para o que ele quer passar. O que é importante passar é que função essa pessoa exerce (no caso: primeiro ministro, diretor-geral, cardeal…).
Acredito que se os personagens ganhassem nomes não haveria uma mudança significativa.
Quanto a questão de “deus/morte Deus/Morte” acho que a letra maiúscula dá uma identificação do deus e da morte, ou seja, especifica qual deus e qual morte o qual ele ta sobre o qual ele está falando.

Artur Dubeux 1ºF

27 05 2009
Isabela Buarque

Acho que Saramago não determina personagens específicos, talvez porque ele tenha como objetivo generalizar certo grupo social, já que ele os “classifica” de acordo com seu papel na sociedade.

Sobre o segundo aspecto, creio eu que sendo Saramago ateu e comunista militante acho que ele simplesmente comparou Deus com a irrelevância da Morte ao colocá-los com letra minúscula e a morte como personagem principal de sua narração.

Me corrija se eu estiver equivocada, até porque eu ainda não terminei de ler As Intermitências da Morte e porque não sou nenhuma estudiosa das obras de José Saramago.

1º A

28 05 2009
arícia acioly

Deus e Morte com letra minúscula é com pouco referencial ou com pouca importância e o de letra maiuscula são duas entidades importantes.

29 05 2009
Professora Bianca

Boa análise, Quaranta!

Um detalhe apenas é que eu não sei se a morte de Saramago pode ser considerada piedosa. Será que podemos realmente atribuir este sentimento ao personagem??

29 05 2009
Professora Bianca

Artur, Isabella e pessoas…

Temos um dilema então neste tópico: dar nomes aos personagens afeta a construção do texto de Saramago e o processo de leitura de sua análise sobre o papel da morte na vida humana?

29 05 2009
Professora Bianca

Artur Dubeux,

No caso então usar deus com minúscula ou com maiúscula não faria diferença no contexto de uma sociedade monoteísta, é esta sua ideia?

29 05 2009
Professora Bianca

Isabela Buarque,

Muito bom você lembrar dessas características do universo ideológico de Saramago. Ele é ateu sim, e nunca um ateu escreveu tantas coisas que se relacionam com o universo temático da fé e da religião. Que o diga uma de suas grandes obras, O evangelho segundo Jesus Cristo, livro que, por sua proposta, ignora tantos dogmas católicos que o governo português não permitiu sua inscrição em prêmios internacionais, alegando que ele não ilustra Portugal, considerado o maior país católico da Europa (considerada a proporção de fiéis católicos no total da população). Como Arícia lembrou, o uso da minúscula tira a importância do ser nomeado. Se ele faz isso com Deus como faz com a Morte, de certa forma há uma equivalência entre as duas entidades.

Fica então a pergunta: usar a minúscula seria uma forma de dessacralizar Deus? Se sim, o uso de denominações genéricas para os personagens é uma forma de dessacralizar o ser humano, destituir sua importância?

30 05 2009
Isabela Buarque

“…dar nomes aos personagens afeta a construção do texto de Saramago e o processo de leitura de sua análise sobre o papel da morte na vida humana?”

Bem, talvez Saramago tenha planejado enfatizar, ao não identificar personagens, que a morte é algo inerente ao ser humano, idependente independente de quem quer que ele seja e qual a sua posição na sociedade, todos têm a certeza (pelo menos no mundo real) que um dia irão morrer.

1º A

30 05 2009
Isabela Buarque

“Na tarde daquele mesmo dia, como já havíamos antecipado, chegou a redacção do jornal uma carta da morte exigindo, nos termos mais enérgicos, a imediata rectificação do seu nome, senhor diretor, escrevia, eu não sou a Morte, sou simplemeste morte, a Morte é uma cousa que aos senhores nem sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja, vossemecês, os seres humanos, só conhecem […] essa pequena morte quotidiana que sou, esta até nos piores desastres é incapaz de impedir que a vida continue, um dia virão saber o que é a Morte com letra grande (…)” ( página 111 e 112 )

A partir desse fragmento que Isabella colocou eu vejo que a Morte faz uma comparação, como se a “morte” (com letra minúscula) fosse a causa dos desastres cotidianos, como por exemplo, as desavenças e brigas entre amigos, a arrogância de patrões, a indiferença e a falta de solidariedade das pessoas, atitudes que acumuladas vão “matando” ou destruíndo destruindo o indivíduo aos poucos.

1º A

31 05 2009
Artur Dubeux

Na verdade, em uma religião monoteísta, utilizamos Deus porque estamos nos referindo a um deus único o qual “sabemos” que existe.
Na obra de Saramago ele não fala de Deus, e sim de deus, na minha opnião isso ocorre porque ele se refere a um deus, e não a o Deus.

Em relação ao nome dos personagens, após ler alguns comentários, acredito que possa afetar a construção do texto, pois assim como Isabella falou, ao botar o nome do primeiro-ministro de José, passaremos a chamá-lo somente de José, e o importante é saber a sua função, no caso a de primeiro-ministro.

Artur Dubeux 1° F

2 06 2009
Lucas Cunha

Eu penso que José Saramago não define melhor os personagens, pois, para ele os ele, os nomes são menos importantes do que as funções. O que ele acha importante é passar apenas a função que cada indivíduo exerce na sociedade, ou seja, primeiro ministro, diretor-geral, cardeal, jornalista, político, etc.
E que ele não quer caracterizar o personagem, isto é, não quer criar uma imagem definida, ele quer apenas o superficial, pra ele basta dizer sua função. E mais não sei se estou certo quanto a isso, mas penso que dessa forma o autor pode usar a mesma palavra para muitas pessoas.

Lucas Cunha 1º A

3 06 2009
Isaac Torres

Puxa… Todo mundo já falou quase tudo, mas eu acrescentaria a minha opinião:
José Saramago é ateu, sim, porém acho que não foi por isso que ele decidiu colocar logo a palavra DEUS em letras iniciais minúsculas por a sua ideologia. Se fosse deste modo, ele revelaria sua oposição à existência de Deus colocando palavras como Morte e Primeiro-ministro em iniciais maiúsculas.
Quanto ao uso das minúsculas em geral, acredito que Saramago queria somente falar que, de acordo com a sua ideia central (a da Morte), não somos nada já que o nosso dia vai chegar e viraremos pó (na minha análise, lembrei da efemeridade da vida do Barroco).
Nas palavras morte e deus, Saramago diferencia (usando as referências da colega Isabella das páginas 111 e 112) Morte de morte por a morte, com letra minúscula, se deixar levar por os sentimentos humanos como é dito até o final do livro. Na palavra Deus em comparação com deus, escrito com minúsculas, deus seria o salvador do determinado país que acontece “AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE”, como já foi explanado por Isabella.

Isaac Tôrres, 1 ano “E”

8 06 2009
Felipe Moura Wanderley

O nome das personagens não é dito por José Saramago pois Saramago, pois não é tido como importante, em vez importante. Em vez do nome Saramago opta pela profissão das personagens e com isso separá-los e, com isso, por separá-los socialmente.

Provavelmente a nomeação das personagens não surtiria efeito nenhum e tiraria o sentido da separação pela profissão.

Na minha opinião, a única diferença entre “deus e morte” e “Deus e Morte” é que a letra inicial maiúscula é usada para nomes próprios e quando ele usa Deus e Morte dá a intenção de nomear Deus e a Morte. E, além disso, dar E além disso dar maior ênfase a eles.

Felipe Moura Wanderley – 1º D

9 06 2009
lucasgcc

Saramago ressalta o cargo dos personagens e suas devidas funções, tirando a atenção de suas características. Outro motivo é a objetividade, ao invés dele precisar toda vez recolocar o nome do personagem usando apenas sua função nós temos um texto mais direto.

Morte X morte
A Morte é como se fosse à perda da vida, a Morte do espírito. Enquanto a morte é a liberação material, como se o corpo morresse, mas o espírito permanecesse vivo.
Como Isabela citou, Saramago era ateu, logo ele buscava caracterizar o poder de deus sem retirar suas características de divino, porém não milagroso. Podemos usar o caso da morte em Deus X deus.

11 06 2009
priscilajales

Saramargo Saramago pode ocultar os nomes dos personagens para que as pessoas não vejam o significado deste nome e relacione a ele, por o relacionam ao personagem. Por exemplo, em Dom Casmurro Bentinho tem esse nome por ser mais submisso, já Capitu mostra que é mais forte, ao forte. Ao longo da história machadiana vemos que os nomes estão ligados diretamente as às ações dos personagens, talvez por não querer que o nome alterasse algum pensamento sobre os personagens Saramargo não os utilizou , deixando a compreensão dos personagens somente pelas suas ações.
Outro motivo seria para não individualizar, como muitos falaram, ele não queria mostrar o comportamento de uma pessoa e sim de semelhantes dela, mostrando que muitas vezes as ações de uma pessoa está ligada ao grupo que ele convive socialmente, sendo socialmente. Sendo essas ações comuns em tal grupo você poderia pensar em qualquer pessoa da área , pois é uma característica dela, não sendo necessários nomes.

Priscila Jales 1º E

14 06 2009
marcelamoreira

Para José Saramago não importa importam os nomes de personagens. O principal assunto que assunto de que ele trata no livro é a morte. Então ele não foca a sua ideia nos personagens.
No caso, ele dá ênfase às reações que a população, de modo geral, apresenta quando a morte deixa de existir. Ele trata dos comportamentos, de modo geral. Saramago não trata das pessoas individualmente. Eu acho que ele não se refere à morte com letra maiúscula, porque ele não fala da Morte como uma parte. Ele a trata como um todo, no geral. Então não precisa se referir à Morte, apenas à morte. Acho que é isso.

Marcela Moreira 1º F

17 06 2009
Ana Maria Couceiro

Acho que para Saramago pouco importa o nome e sim seu título. Ele está mais preocupado com o foco da história, tanto faz para ele se esse cardeal ou aquele cardeal, o foco está no contexto. Já o fato dele usar letra minúscula em Deus e Morte, se dê Deus e Morte talvez se dê pelo fato dele ser ateu e sendo assim e, sendo assim, ele não acredite que a Morte seja essa coisa cruel, que só mata e trás traztristeza e Deus não seja esse ser supremo, talvez para Saramago a morte e deus seja igual a o primeiro-ministro, o cardeal e os outros personagens.

18 06 2009
Professora Bianca

Arthur Dubeux e Lucas Cunha,

Seus comentários foram bastante coerentes!

Isaac,
Arrasou de novo né? 😀

18 06 2009
Professora Bianca

Felipe Wanderley,

Temos personagens que são assinalados por outras características, como as relações familiares. Acho que esta divisão por profissão não é exatamente a opção dele, já que não se aplica a todos os personagens. Repense um pouco, tá?

Lucas,
Substituir o nome do personagem para usar o cargo como uma forma de não repetir palavras não faz muito sentido, pois se deixaria apenas de repetir uma palavra para repetir outra. No encadeamento textual a repetição é o elemento mais comum de manutenção da coesão. Faz sentido usarmos profissões, cargos, apelidos, pronomes, para evitarmos o excesso da repetição de um nome, mas, evidentemente, não é o excesso que Saramago quer cortar, porque ele não faz uso de nome próprio NENHUMA vez. Repense um pouco sua teoria. 🙂

18 06 2009
Professora Bianca

Priscila,

Muito bem lembrado isso de que nomes evocam a personalidade do nomeado. José de Alencar, por exemplo, propositalmente batizou a protagonista do romance Senhora de Aurélia. Aurélia vem de aurum, ouro, e a personagem é (se torna, na verdade) uma dama riquíssima, da alta sociedade, cuja nobreza e altivez de porte e de modos se coordena com uma alma igualmente nobre e preciosa. Não é nada raro que autores busquem nomes para seus personagens que façam referência a características físicas ou psicológicas deles. As Helenas das novelas de Manoel Carlos são sempre mulheres apaixonadíssimas, capaz de enfrentamentos terríveis por um amor (amor a um filho, a um homem, a uma causa…). O nome evoca a apaixonada Helena de Esparta, que encarou uma guerra para ficar com o homem por quem se apaixonou, o príncipe Páris da cidade de Tróia.

18 06 2009
Professora Bianca

Marcela Moreira,

Boa teoria!

21 06 2009
stefanjr

Bem, é provável que Saramago tenha ignorado os nomes das personagens para não indivudualizar individualizar os personagens. No caso, Saramago mostra apenas a função deles, para destacá-los de acordo com a sua função: o primeiro-ministro se preocuparia com seu país, devido a seu cargo ; o “deus” da estória teria o poder/o olhar sobre aquela região etc.
Na verdade, vale ressaltar que o “deus” colocado na estória pode não ser o Deus, em que nós acreditamos. Quem disse que o povo colocado por Saramago em seu livro acredita no cristianismo? Eles podem ter uma religião própria ou ter uma religião diferente, que não acredite no “Deus” que nós acreditamos. Ele não especifica. Essa é a completa diferença entre colocar “deus” e “Deus”, e é essa a intenção de Saramago ao não colocar os nomes: não individualizar. A mesma coisa acredito que valha para “morte” e “Morte”.

22 06 2009
Pedro Rocha

Acho que a falta de identidade dos personagens tem muito haver com a preocupação do autor em não citar um nome como em seu livro, determinando assim que pode ser qualquer um e dispertando despertando em nós essa verdadeira curiosidade para saber o nome, e que na verdade também não afeta ao desenvolvimento da obra.

22 06 2009
Wellington de Melo

Pedro,

Seu comentário é bastante superficial e não leva em conta as possibilidades expressivas do recurso de omissão. É claro que afeta sim o desenrolar da obra. Mas como?

22 06 2009
Renato Machado Farias

Como Priscila ja havia escrito, acredito que Saramago refere-se a alguns personagens por seus/suas profissões ou cargos para clicherizar o comportamento deles.
Na minha opinião Saramago escreve Morte, por um motivo, e Deus, por outro, com letras minusculas pelos seguintes motivos:

Deus – O cardeal explica para o primeiro ministro logo no começo que ministro, logo no começo, que sem morte não há ressurreição e sem ressurreição não há igreja. A igreja coordena a maior religião ocidental e sem ela não há nada que “oficialize” a ideia de um Deus todos poderoso e comun comum para cada pessoa, por isso Saramago escreve Deus sem letra maiuscula maiúscula. Acredito tembém que ele tenha escrito “deus” para críticar criticar a existencia existência de um ser perfeito. OBS: Como ja haviam dito ele era ateu. 😛
Morte – A única certeza de um ser humano é que algum dia ele morrerá, porém a partir do primeiro dia de um ano todos porém, a partir do primeiro dia de um ano, todos param de morrer causando morrer, causando, em alguns, a despreocupação e, para em outros, desespero. Enfim o motivo de morte ser escrita sem letra maiuscula maiúscula, mesmo sendo substantivo própio, é que ela deixou de fazer sua “função”, perdendo sua importância.

Renato Machado Farias 1º ano D

25 06 2009
Augusto

Cadê o meu coment? Por que vocês o excluíram?

25 06 2009
pwbs

Quando Saramago não utiliza nomes em seus personagens é porque existe um motivo e na minha opinião seria o fato de ele tentar manter o foco nos acontecimentos e também porque os nomes não fariam muita diferença. A respeito de “deus e morte” e “Deus e Morte”, acho que ao utilizar com letra maiúscula seria com o foco em uma determinada coisa e minúscula seria com um foco no geral.

Pedro Paulo
1 F

26 06 2009
catarinapinheiro

Saramago pode ter o objetivo de aproximar o leitor da história fazendo com que o leitor se inclua como personagem. Também pode ter o objetivo de não sitar citar nomes de pessoas conhecidas para que elas gostem ou não, como se fizesse uma referência.

Catarina Pinheiro – 1A

29 06 2009
fratianne

Saramago não idêntifica identifica o nome dos personagens, ele quer expressar o papel expecífico específico de cada um. O nome não influência influencia muito no livro, mas séria seria melhor, para que cada um se individualizasse mais.

30 06 2009
Renata Couceiro

Com a escolha do autor de não categorizar seus personagens, tratando não das pessoas, e sim de suas funções na sociedade, ele pretende dar uma realidade maior a história, deixando o leitor mais próximo do acontecimento.

1º A

1 07 2009
Professora Bianca

Renato,

Adorei a sua teoria sobre a morte com letra minúscula! Muito bom!

1 07 2009
Professora Bianca

Augusto,

Nenhum post é excluído depois de publicado. Algumas postagens suas foram enviadas para você, por email, para serem refeitas e ainda não obtivemos resposta. Não recebemos comentários seus neste tópico.

1 07 2009
Professora Bianca

Pedro Paulo,

Seu comentário foi superficial. Por favor, tente novamente, pois não podemos considerar sua participação válida.

1 07 2009
Professora Bianca

Catarina,

Mas Saramago não teria a necessidade de citar pessoas reais, já que ele faz ficção. Ele poderia perfeitamente inventar pessoas com nomes próprios, sem fazer com isso referência direta a nenhuma personalidade conhecida.
Por favor, reveja sua análise, pois não podemos considerá-la válida.

1 07 2009
Professora Bianca

Fratianne,

Como Saramago quer ressaltar a especificidade de cada personagem sem os tratar como indivíduos? A primeira coisa que individualiza alguém é ter seu próprio nome. Sua reflexão precisa de mais coerência.

1 07 2009
Professora Bianca

Renata,

Não entendi como a ausência de nomes pode dar mais realismo à narração. Você precisa desenvolver sua argumentação.

1 07 2009
Professora Bianca

Stefan,

A referência a um bispo é uma referência direta a uma religião cristã, pois é uma nomenclatura hierárquica específica do cristianismo ocidental (e, até onde sei, exclusiva do catolicismo). Se não fosse por isso, a contraposição deus x Deus poderia ser exatamente a que você mencionou.
Sobre a morte e não entendi a diferença entre morte e Morte que você tentou explicar. Você pode esclarecer?

6 07 2009
luizhenriqueramos

Como debatemos em sala, Bianca, pudemos chegar a conclusão de que Saramago omite o nome dos personagens para acabar com a individualização das pessoas e para aproximar mais os acontecimentos de nós, leitores. Saramago substitui o nome pelo cargo que ele exerce na sociedade. Assim para concernir-se referir-se a um Primeiro-Ministro, não seria necessário especificá-lo, visto que só existe um primeiro ministro, mas se ele substituísse o seu cargo pelo nome João… ora, existem milhares de “Joões” (teria que toda hora especificar que João estava a falar, ou seja, somos obrigados a retomar o valor de importância que a ele é atribuído, bem como uma colega falou). 😀
Outro motivo é o de que ele não quer tirar o foco da história: a morte.

Falando sobre a morte e a Morte > No livro é notável a forma como ele discerne Morte de morte. Como ele mesmo cita em uma passagem no próprio livro, que Isabella trouxe e que já me tinha chamado atenção, é o seguinte:
“Na tarde daquele mesmo dia, como já havíamos antecipado, chegou a redacção do jornal uma carta da morte exigindo, nos termos mais enérgicos, a imediata rectificação do seu nome, senhor diretor, escrevia, eu não sou a Morte, sou simplemeste morte, a Morte é uma cousa que aos senhores nem sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja, vossemecês, os seres humanos, só conhecem […] essa pequena morte quotidiana que sou, esta até nos piores desastres é incapaz de impedir que a vida continue, um dia virão saber o que é a Morte com letra grande (…)” ( página 111 e 112 )
O que ele quer dizer é que a morte é apenas a pausa na vida das pessoas; a morte do corpo; da matéria (aquelas as que estamos habituados). Já quando se trata de Morte, o autor se baseia na ideia de uma morte num sentido maior, a morte de espírito; morte da alma (como diz Saramago :”… a Morte é uma cousa que aos senhores nem sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja …”

9 07 2009
Professora Bianca

Boa citação, Luiz!

15 07 2009
Renata Couceiro

A ausência de nomes pode dar mais realismo à narração, porque ela acaba com a individualização das pessoas.

1º A

20 07 2009
Daniel Campos

A omissão dos nomes das pessoas e entidades na obra de Saramago está relacionada à ênfase que ele deseja dar aos leitores.

Uma vez que ele não nomeia, ele está dando uma ênfase muito maior no papel desempenhado por aquela determinada pessoa ou entidade dentro da sociedade, sem ser necessária uma denominação, o que se torna algo muito genérico.

Quanto aos termos morte e deus, ele transmite que a diferenciação entre estes termos com letra maiúscula ou minúscula está exatamente no que eles representam, de forma que os termos em letra maíuscula são vão além do que a palavra representa em uma visão mais generalizada.

21 07 2009
Letícia

Acredito que José Saramago optou por não dar nome aos seus personagens porque preferiu priorizar a história, os fatos, e por isso tratou todos personagens como uma pessoa qualquer, e isso faz nos perguntarmos… onde será que essa história aconteceu? Se ela aconteceu mesmo algum dia.. mesmo sendo aparentemente impossível.. mas será que aconteceu com alguém que eu conheça ? E isso faz com que tudo aconteça bem pertinho de nós.
morte com letra minúscula mesmo sendo um nome próprio, eu acredito que seja porque a morte que decide parar de matar e cria todo aquele tumulto é a nossa morte; apenas a morte dos seres humanos, e sendo assim, ela possui características humanas, alguns sentimentos humanos e é muito menos devastadora que a Morte, com letra maiúscula, porque essa sim acabaria com tudo o que conhecemos.
Quanto a deus e Deus é porque o deus, com letra minúscula, é o deus cuja existência foi questionada naquele país ( sem morte não há ressureição ). E Deus, com letra maiúscula, é o Deus de todo lugar, aquele de que nenhum cristão duvida.

22 07 2009
Professora Bianca

Renata,

Seu comentário foi superficial. Não podemos considerar sua participação válida.

23 07 2009
Rebeca Fernandes

Saramago não nomeia os personagens, procurando não (os) individualizá-los individualizar. Ou seja, pode ser qualquer genro, qualquer violoncelista… Acredito também que isso pode ser uma forma que Saramago utiliza para ingressar o leitor na história. Pois, dessa forma, quando o autor já define um personagem, seu nome e traços, isso não estimula tanto a imaginação do leitor. Na obra de Saramago o leitor pode imaginar seu próprio personagem.
Saramago também utiliza isso como uma forma de não tirar a atenção principal á da história. Para o personagem a única coisa que o leitor precisa saber é a sua função na sociedade, não precisa saber seu nome ou de a que família ele pertence.
E na questão da diferença entre referir-se com deus e morte e Deus e Morte, a minha análise foi parecida com a de Luiz Henrique, em que a morte (com letra minúscula) quer dizer apenas a morte da matéria, do corpo (o que, de acordo com o livro dos Espíritos, é o envoltório material que coloca o espírito em relação com o mundo exterior). E quando ele fala na Morte (com letra maiúscula) ele quer dizer a morte da alma, do espírito (o que, de acordo com o livro dos Espíritos, é o princípio inteligente que abriga o pensamento, a vontade e o senso moral).

Rebeca Fernandes, 1° A

24 07 2009
Clara

A conclusão que cheguei sobre Saramago não usar nomes, foi para que não tirasse o foco do tema do livro. Também acho que como esta obra exige uma leitura concentrada, sendo até cansativa, e possui uma quantidade média de personagens, sem os nomes deles facilitaria a leitura. Pois seria muito mais fácil de compreender quem é o Primeiro-ministro chamando-o de ‘Primeiro-ministro’ do que se ele citasse o nome.
E ele usa ‘morte’ com letra minúscula porque Morte (com maiúscula) tem um significado muito intenso, como se fosse o fim de tudo, da alma tudo morresse. Já com letra minúscula, ele quer dizer que o que teve fim foi o corpo, a matéria.

Clara de Andrade, 1º E

26 07 2009
ileanajustiniano

Como já foi dito também acredito que Saramago não tenha colocado nome em nenhum dos personagens para mostrar que o fato ( a morte parar de trabalhar) podia ter acontecido em qualquer local com qualquer pessoa, mas também acho que um outro motivo pelo qual Saramago não nomeou os personagens é que para a morte todos são iguais, não importava se o primeiro-ministro fosse do Brasil, Estados Unidos ou Inglaterra ou de quem era a tia ou o genro, além disso não importava qual Deus de qual religião estava sendo referido. Quanto às letras minúsculas acredito que Saramago tenha utilizado deste artifício, pois quando se inicia uma palavra com letra maiúscula geralmente é um nome próprio ou algo que seja muito importante (ex. Deus), assim ao optar por usar minúsculas Saramago evitou caracterizar qualquer coisa e assim mostrar que para morte não tem quem signifique mais ou menos todos vão ter o mesmo fim.

Ileana 1° B

26 07 2009
danielbelian

A ausência de nomes dá a idéia de que os acontecimentos citados nos livros podem acontecer com qualquer pessoa, desprezando diferenças étnicas ou sociais. Ao escrever Deus e Morte com letras minúsculas, ele torna tais crenças, explicadas pelas religiões como uma a criadora de todo o universo e outra a que dá fim à vida na Terra, fatos cotidianos, como se não houvesse nada de “extraórdinário” neles.
Ao generalizar, ele atribui características iguais a todos, pois ao não distinguir gui-los, ele gera uma “ordinariedade” para mostrar que todos são iguais ao ver da morte, que todos um dia morrerão, independente de dinheiro, etnia, cultura, etc.

27 07 2009
Ananda Franco de Sá

Bianca, grande parte das minhas ideias são parecidas com as das pessoas que já postaram, vou tentar dar ênfase ao que acho que não foi muito abordado ainda.
– Saramago pode não ter dado nome aos personagens com a intenção de generalizar, ou não individualizar (como citado anteriormente). Exemplo: as coisas que o primeiro-ministro fez poderiam ser feitas por qualquer primeiro-ministro, naquela situação qualquer primeiro-ministro agiria da mesma maneira.
– morte ou Morte: Saramago usa cada um desses com um significado diferente. A morte é algo natural, superficial e todos sabem do que se trata enquanto a Morte é algo muito maior que ninguém sabe exatamente do que se trata.
– Deus e deus: acho que o deus escrito com letra minúscula seria um Deus específico do lugar onde ocorre a trama, enquanto o Deus escrito em maiúscula é o todo poderoso, o poder maior.

27 07 2009
kevin

A ausência de identidade dos personagens é essencial pra obra: isso torna possível contar tudo que se passa no país onde o fato se passa. A ausência possibilita dar uma visão ampla dos acontecimentos e como as pessoas vão reagindo, o que se passa por debaixo dos panos.
Caso houvesse identidade dos personagens, a história seria limitada a contar o que se passa ao redor dos personagens principais, dando uma visão deles dos acontecimentos. Por não ter isso, é impossível adaptar o livro pra um filme.
O narrador sabe praticamente todos os fatos que vão se sucedendo, porém ele os interpreta e passa as informações pra nós leitores. Dessa forma, sabemos como tudo vai acontecendo de maneira bem próxima: os fatos são apresentados como se o narrador fosse um espírito que observa os importantes acontecimentos.

28 07 2009
otavio neto 1 f

Pelo meu entendimento eu acredito que a utilização de letras minúsculas no início de palavras que comumente, ou melhor, de acordo com a regra são escritas com letra maiúscula não é apenas uma coisa que Saramago faz por fazer, e sim, existe um significado, que seria a de diferenciar o mais importante do menos importante, ou seja, Deus é mais importante do que deus, Deus é maior do que deus, ou seja, Deus seria o maior, seria o “líder” de todos os “deus” que existem. Ele também faz isso quando se refere à “morte”, pois a “morte” que é responsável pela morte naquele país é apenas mais uma “morte”, não é a maior, pois acima de todas as “mortes” existe uma “Morte”, que por sinal, é muito pior.
Se Saramago realizasse a identificação dos personagens através de nomes eles perderiam toda a sua importância, pois não passaríamos a identificá-los pelo que eles fazem e sim pelo seu nome, ou seja, o primeiro-ministro seria João Ricardo, seria somente mais um e não o primeiro-ministro, por isso acho interessante essa característica da literatura de Saramago.

otavio neto 1f

28 07 2009
Guilherme França 1ºA

O autor não atribui nomes aos personagens com finalidade de dar atenção apenas a sua função principal, sem se preocupar com características pessoais deles para não tirar o foco da historia história e deixá-la mais clara. A morte para o autor seria o personagem da historia história, a morte que faz parte da sociedade. A Morte seria a ideia comum de morte (não a personagem) que temos: a perda da vida. O deus de Saramago também seria um personagem, talvez por ele ser ateu ele quisesse tratar Deus como um ser que não fosse milagroso.

28 07 2009
marcela albuquerque

Quando Saramago deixa de nomear os personagens, nós ficamos muito mais ligados no desenvolvimento da história, isso também acontece quando ele não utiliza todas as pontuações necessárias. E ele Ele usa morte, com letra minúscula, assim como as outras instituições que normalmente são utilizadas com letra maiúscula, pois ele não trata de toda instituição, ele trata de uma parte dela, de certa forma ele individualiza os personagens, assim, a história flui de maneira mais fácil e dinâmica, sendo totalmente dispensável o uso de nomes de personagens.

28 07 2009
rafaelalves94

Saramago utiliza esse recurso para mostrar que apesar da diferença de uma pessoa pra outra, elas estão sempre entrelaçadas, uma vez que como você própria Professora citou acima que dar nome a um personagem é individualizá-lo. Querendo assim mostrar que os personagens estão classificados apenas pelos seus interesses, como o ministro tem seus interesses, que são completamente opostos aos interesses da morte, que são completamente avessos aos interesses de Deus e assim por diante, diferenciando eles apenas pelos seus interesses ou ações. Ele se utilizou deste recurso no livro Intermitências da Morte devido esse recurso novamente dizendo não individualizar os personagens, mostrando que há sempre uma conexão entre eles, a morte.

Rafael Alves 1ºC

29 07 2009
Raphaela França

Concordo com Luiz sobre a atribuição de nomes aos personagens. Isto gera uma individualização do ser, e sem os nomes, pode ser qualquer primeiro ministro, qualquer mulher… Além de que aproxima os leitores da história! Ora, você pode imaginar os personagens sendo alguém que conhece, dando asas a imaginação.

E este fragmento que Luiz coloca mata a charada sobre a morte x Morte.
A morte é apenas uma fase da vida do ser, quem sabe se a primeira ou a última? há quem acredite que após a morte começaremos nossa verdadeira vida, no paraíso, ou então reencarnaremos, ou aguardaremos o juízo final, e há quem diga que aproveitemos essa vida, porque depois entraremos num sono profundo. Já a Morte, é o verdadeiro fim de tudo. Do corpo, e do espírito. Depois dela, não há mais nada.
deus seria a entidade, e Deus é o ser supremo em que alguns acreditam. Sendo Saramago um ateu, é provável que esta forma de escrita seja algo que revele a posição dele no caso da religião. Bom, acho que só resolveremos isso perguntando pra ele!

Raphaela França, 1º A

29 07 2009
mateus00vieira

Bianca,

como muitos já afirmaram, Saramago não coloca identidade nos personagens para generalizar todos do país, ele apenas divide os personagens por funções sociais. Caso ele especificasse os personagens, ele não iria afetar a sociedade como um todo, não iria botar meio que causar um medo, um pavor, ele tem a intenção de se referir à todos, de criticar todos. Quando o livro se refere da à Morte com (M) minúsculo eu acho que é para dizer que a morte é uma coisa comum, que ninguém deve se referir a ela como um ser poderoso, supremo, apenas como um ser comum que ninguém deve temer. Uma prova disso está na página 112, quando a morte,muito constrangida com o ódio humano sobre ela, exige que os homens coloquem o M minúsculo em seu nome, ou se não, eles irão conhecer a Morte de verdade. Nisso ela poderia parar o seu trabalho para sempre. Em relação a Deus com (d) minúsculo e maiúsculo, eu acho que é para representar que Deus é como a morte, podendo ser até menos poderoso, nós podemos perceber que no livro Deus sempre vem com letra minúscula, os habitantes daquele país não conhecem Deus, mas conhecem a Morte. Eles não temem a Deus, pois eles não conhecem realmente os seus poderes, mas temem a morte, pois eles já a conheceram ela, e viram o poder que ela tem.

Mateus Vieira- 1º A

29 07 2009
LN Santos

Mateus,
Será que a morte (com minúscula ou maiúscula) tem realmente o propósito de “botar medo”? Você vê a ação da morte como uma vingança contra os humanos?

29 07 2009
LN Santos

Danilo Galindo,
Tente refletir um pouco mais sobre o assunto. Quando a personagem não recebe um nome específico na obra, sua atuação é própria (a partir de sua identidade) ou “funcional” (a partir de sua função social)? O ministro, por exemplo, age, pensa, fala de acordo com seus princíipios de HOMEM ou de acordo com o CARGO que ocupa? Se tivesse uma outra função social, outra profissão, agiria da mesma forma ou de forma diferente?

29 07 2009
LN Santos

Daniel Campos,
Apesar de não original, suas ideias estão coerentes com a nossa discussão. Explique melhor, contudo, o seu último parágrafo, pois não ficou claro o que pensa a respeito da utilização de maiúsculas ou minúsculas nas palavras “morte” e “deus”.

29 07 2009
LN Santos

Show, LELÊ, mas me deixou intrigada…
Nós, seres humanos, somos mesmo prepotentes, não acha? Por que achar que nossa morte é diferente da morte de animais ou vegetais que também habitam o planeta terra? Será que só nós temos direito a “passar desta pra melhor”?

29 07 2009
LN Santos

Pedro,
Suas ideias não estão claras. Desenvolva melhor seu raciocínio, ok?

29 07 2009
LN Santos

MALU,
Será que não há mesmo protagonista na obra de Saramago? Se a morte é eprsonificada, não podemos tratá-la como protagonista? Reflita um pouco mais e envie outro comentário.

29 07 2009
LN Santos

“Na obra de Saramago o leitor pode imaginar seu próprio personagem.”
REBECA,
Aqueles que aceitaram o desafio de adaptar os romances de Saramago para o cinema (como o nosso Fernando Meirelles, com “Ensaio sobre a cegueira”) têm a mesma opinião e, por isso, julgaram ser uma adaptação difícil, pois teriam que mexer com o imaginário dos leitores. E se o meu ministro era ruivo e não moreno como o de outro leitor, por exemplo?
Deve ser uma tarefa árdua chegar a um consenso a esse respeito, já que os aspectos físicos de cada personagem não são suficientemente descritos para aplacar nossa curiosidade, não?

29 07 2009
LN Santos

Augusto,
Sei que o suporte (internet) e o gênero (blog) interferem na escolha da linguagem, mas procure acentuar as palavras, ok? Envie seu comentário novamente.

29 07 2009
LN Santos

Clara,
Você lembrou um aspecto importante: dar nomes aos personagens não traria confusão na memorização do papel de cada um deles na obra? Uma obra que brinca com esta questão é “Cem Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marquez, que dá nomes aos personagens, porém são sempre os mesmos nomes. Há três Úrsulas, se não me engano, ao longo do enredo, todas aparentadas. No caso da obra de GGM não há grandes problemas a esse respeito, na de Saramago, se assim o fosse, eu não sei? E vocês, o que pensam?

29 07 2009
LN Santos

Thiago, Beatriz…
OK, já sabemos que ele não dá nomes aos personagens e estamos chegando à conclusão de que o papel social é mais importante que o individual… vamos tentar descobrir algum outros aspecto a esse respeito.

29 07 2009
LN Santos

Muito bom, ILEANA, a morte é a mesma para todos (pois todos voltaremos ao pó) independente da classe social (ricos ou pobres) e, acrescento, do reino (animal ou vegetal). Ora essa, os passarinhos também não voltarão ao pó? E as mangueiras e os carvalhos???

29 07 2009
LN Santos

Atenção turma,
tentem refletir SE QUISEREM sobre as mudanças na recepção do leitor, caso a obra tivesse nomes próprios para os personagens, ok? Evitem PARAFRASEAR os seus colegas cujos comentários já foram aprovados.

29 07 2009
LN Santos

IMPOSSÍVEL fazer a adaptação? Acho um termo muito forte, pois foi utilizado para o “Ensaio sobre a cegueira” e… foi feito. Cuidado com um julgamento tão conclusivo. Conclusiva só a morte… ou será que não?

29 07 2009
LN Santos

Marcela,
Você sugere que cada país tenha uma “morte”? Então, a morte de Saramago teria sua atuação limitada ao país em questão e não a outros países? Não poderia “matar” aqui no Brasil, por exemplo? (Ufa, que alívio!!!!!!!ihihihi)
Acho interessante pensar que SÓ pessoas DESSE país da obra NÃO morreram durante um tempo, enquanto outros países continuavam “morrendo” quando era chegada a hora. Será que só as pessoas desse país julgavam a morte sempre cruel? Agiam, em relação à ela, de forma diferente das pessoas de outros países?

29 07 2009
LN Santos

Catarina,
A morte morre???????? Como assim, não me contaram. Manda outro comentário explicando melhor, ok?

29 07 2009
LN Santos

Tiago,
Observe a acentuação e a concordância verbal em seu texto. Corrija-as antes de enviar novamente o seu comentário, ok?

29 07 2009
LN Santos

Henrique,
Observe a acentuação das palavras e a pontuação do seu texto. Corrija-as antes de enviar seu comentário novamente, ok?

30 07 2009
ulisses batista de oliveira salzano ferraz

Saramago, não coloca nome em seus personagens por não tratá-los com individualidade, pois para ele a morte é uma só para todos, passando pelos estágios da vida

31 07 2009
Mariana

Na minha opnião José Saramago não nomeia seus personagens por ter seu foco em outra coisa, que nesse caso é o conteúdo do texto em si. Os nomes dos personagens podem não ser tão importantes, para ele mostrar apenas o papel social de cada um já basta.
Também é possível que esse fato se dê como uma forma do próprio de escrever, já que essa referência aos personagens é constante nas obras de Saramago.

Mariana Martins 1º C

31 07 2009
Maria Augusta

Talvez, porque Saramago quisesse dar maior ênfase aos relatos, à história, e não aos personagens, mas sim ao que acontecia ao redor dos mesmos. Eu também concordo com o que Ileana disse, para mostrar que a morte é igual para todos, sendo você rico ou pobre, adulto ou criança, quando chega a sua hora, a morte vem. Também não importa o lugar ou a hora, todos terminarão do mesmo jeito, como ‘pó’.

Maria Augusta Ferraz – 1ºB

31 07 2009
biaamenezes

Acredito que Saramago não tenha dado nomes a seus personagens, justamente para que o leitor não se atenha aos nomes e características de cada um, mas sim, a idéia ideia principal do livro, ( no caso, o fato da morte não matar mais…).
Acredito também, que, para que a história do livro, cause “impacto” nos leitores, esses, precisam ver as pessoas não individualmente, mas sim, coletivamente, as pessoas constituindo um grupo maior, a sociedade. No meu ponto de vista, Saramago queria mostrar com isso, que, no final, todos vamos morrer, não importa quem somos e a qual classe social pertencemos, a morte chega para todos.

Beatriz Menezes 1° E

31 07 2009
isabelabispo

O fato de Saramago não identificar os personagens, na minha percepção, é devido a pouca importância frente a estória que ele pretende dar a um personagem específico. Devemos ler “As Intermitências da Morte” enxergando a cidade, do livro, em geral e não um único personagem ou grupo dela. O que se quer mostrar é a reação dos diferentes grupos com relação ao desaparecimento da morte, reação esta que é muda de acordo com os interesses do grupo, cada um com seu ponto de vista. Por sinal, é uma característica dos romances várias ações ocorrerem de forma paralela. O autor desta obra faz com que não nos foquemos por exemplo em um repórter, e sim em todo o grupo de reportagem e jornalismo e também não só neles, mas também nos hospitais, na máphia máfia, nas funerárias…

Quando ele coloca deus em letra minúscula ele até, por ser ateu, não quer dar muita importância a esta figura religiosa, não quer que tenha mais relevância e destaque em seu livro do que as pessoas comuns a quem nem nome ele atribuiu. Em relação ao fato de colocar morte em letra minúscula, creio que ele pretende colocar um certo pé de igualdade entre ela (morte) e deus.

Isabela Bispo 1º C

31 07 2009
Rodrigo Barros

Saramago deixa de colocar nomes em personagens para tratar das pessoas como um todo, e não individualmente, um exemplo disto é chamar o primeiro ministro de Marcos, sem tê-lo citado antes no texto. Para evitar tal fato, Saramago utiliza simplesmente o título que esta pessoas inserida na sociedade têm, o de primeiro ministro.
Saramago trata de deus e morte e Deus e Morte de forma muito especial.
Ele dá a entender que deus e morte são inferiores a Deus e Morte, sendo Deus um ser divino e supremo e a Morte como algo ruim devastador, destruidora de sonhos. Já deus pode se referir a outro de outra religião, e morte a algo simplesmente material, sem sentimentos.

Rodrigo Barros 1º C

31 07 2009
Bruna Moura

Acho que a atitude de Saramago, ao deixar de nomear seus personagens, foi uma forma de não tirar a atenção do leitor do foco, já que se nomeasse seus personagens, o mesmo iria saber da vida individual de cada um, o que não é necessário na obra.

Bruna Moura 1º C

31 07 2009
Gabriela Calabria Lima de Sousa

Eu acredito que Saramago não utilizou de nomes em seus personagens por não querer individualizar, como já foi dito aqui antes. Acho que se ele utilizasse de nomes o foco da história se perderia, que eu acredito ser “como a falta de mortes” afetou pessoas das mais diversas classes sociais e políticas diferentes. E eu acho que a diferença entre se referir-se com “morte” em vez de “Morte”, é que quando utilizado “morte” a palavra atribui um significado de ‘acontecimento’, um fato natural na vida dos seres humanos, ou no fim delas, e que não necessariamente possa ser uma coisa ruim. Quando utilizado “Morte”, atribui-se um significado de ‘algo ou alguém’, na minha visão, que tem como função tirar a vida dos outros de forma má e impiedosa. O mesmo acontece com “deus” e “Deus”. Acredito que no universo de Saramago, pode existir vários deuses, cada qual com sua função divina, e ao utilizar “Deus” acredito que há uma especificação do ser divino e supremo. Não apenas mais um.

31 07 2009
marcela carvalheira

O motivo que leva o autor do livro a não identificar os personagens com nomes próprios, é o fato de que ele não querer individualizar cada personagem, como já foi dito em posts anteriores. Ao fazer isso, Saramargo ‘amplifica’ a ideia de quem é aquele cardeal, por exemplo… isto é, pode ser qualquer cardeal e não aquele em si, que se chama “fulano”, Saramargo então identifica cada personagem por meio de seu papel na sociedade. O mesmo acontece com o primeiro-ministro e com os outros personagens assim tratados.
Ao ler o livro notamos essa diferença, entre Deus e deus, Morte e morte… notamos também o porque disso tudo, quando o autor do livro menciona Deus ou Morte com letras maiúsculas, ele pretende nos mostrar que esse ser mencionado é muito forte, tem muito poder, são extremos, ou muito bom, no caso de Deus, ou muito ruim, e maldoso, no caso de Morte. Quando minúsculas, essas forças são menores, não são nem tão maus assim, nem tão bons.

1º A

31 07 2009
jmaurob

Em minha opinião Saramago não quer se aprofunda aprofundar em nomes para não tirar o leitor do foco, já que nomes nesse livro não seriam de tanta importância, nota-se que Saramago apenas classifica os personagens por profissão. Saramago usa morte sem o m maiúsculo para reafirmar que em seu livro a Morte é apenas o final da vida ( a ultima fase ), e Deus sem o d maiúsculo é para mostrar que no livro ele não tem tanta importância.

José Mauro 1 ° D

31 07 2009
Bruna Queiroz

Ao produzir o livro, Saramago provavelmente não pretendia dar ênfase a essa identidade. Ele não queria individualizar e nem falar sobre tal ministro ou tal violoncelista, na verdade, ao dar nome aos personagens, ele pretendia apenas diferenciá-los uns dos outros. Mas era apenas isso. Sua intenção não era identificá-los e nem deixar o leitor ciente das características de tal personagem, isso na verdade era o que menos importava.

31 07 2009
Bruna Queiroz

Qual a diferença entre referir-se com deus e morte e Deus e Morte? Que leitura vocês fazem disto?

Quanto ao dilema “morte” X “Morte”, há uma grande divergência de sentido em cada umas das formas que cada palavra foi escrita. A “morte” refere-se a perda das funções vitais do organismo e, dessa forma, sugere que o espírito não tem uma ligação de dependência com a matéria, não se desfazendo junto com a mesma. Já no caso da “Morte”, em que usa-se a letra maiúscula, pretende-se dar ênfase a uma morte no sentido completo, nesse caso, o espiríto também morre.
Já no dilema “deus” X “Deus”, temos “Deus” como um ser individualizado, maior que qualquer outro mero ser humano, uma figura inigualável e inalcansável.
Usar “deus” é, sem dúvida, uma forma de dessacralizá-lo e subestimar tudo o que Ele propõe aqueles que creem em sua existência e palavra. Talvez isso ocorra pelo fato de que o próprio autor do livro é ateu e, portanto, não acredita que possa existir essa figura julgada inalcansável por aqueles que o creem.

1ºC

31 07 2009
Felipe Macedo de Morais Pinto

Acho que Saramago tem a intenção de evitar dar importância a qualquer personagem, visto que só faz parte da narração como objeto, e na sua ideia como todo nada importa. O mesmo se dá no Ensaio, justamente por isso, para evitar a aproximação de um personagem de tal característica, manter-se distante, com o foco no texto e nos fatos que marcam, não nas pequenas peças presentes nele. Isso pode ser observado também no seu estilo de escrever tudo corrido, descrever em detalhes minuciosos uma cena e pular para a próxima. Ele, diferente de todos os outros autores, evita descrever os personagens demais. A presença da “morte” como um ser diferenciado da “Morte” insinua que a morte é apenas aquela que inanima um corpo, causa uma fatalidade, uma morte aqui, outra ali, enquanto a Morte seria, por sua descrição, a destruição total, o fim absoluto que se opõe à criação, ou seja, é mais que o fim da vida, é simplesmente o Fim. Quando não existe depois. O uso de deus, ao invés de deus, não tenho certeza sobre nada, mas duvido que seja de outra religião pela existência do bispo, etc. Mas minha impressão é de que deus, seja como de seu deus, meu deus, nosso deus, como mais uma crença em algo, enquanto Deus seria o absoluto, mais próximo de alguém, daí o d maiúsculo.

31 07 2009
livia furtado

O fato de Saramargo não ter atribuido um nome aos personagens foi em busca da não individualização dos personagens, de aproximar a história do leitor, de facilitar a imaginação do leitor, já que o personagem não é um específico e poderá então ser atribuído ao mesmo, o nome que o leitor desejar. Do mesmo modo em relação as características, o personagem é retratado de modo mais amplo. Além disso, como já foi diversas vezes comentado, o autor não busca a alteração do foco, ele quer mantê-lo na Morte.

A respeito das palavras Morte e morte, Saramargo trata de morte como algo mais simples, concreto, a morte, simplesmente a morte, menos perverso do que aquela Morte, com letra maiúscula, que não tem perdão, que é representada como se fosse o extremo! Sobre Deus e deus, digo basicamente o mesmo, Deus é aquele outro extremo, totalmente contrário a morte… e deus é aquele, um pouco mais simples, generalizado.

livia furtado 1º ano A

31 07 2009
Daniel Campos

“Explique melhor, contudo, o seu último parágrafo, pois não ficou claro o que pensa a respeito da utilização de maiúsculas ou minúsculas nas palavras “morte” e “deus”.”

Pelo que pude compreender, Saramago deixou claro que Deus é algo maior, divino; e Morte é o fim das nossas vidas, sonhos e esperanças. Os termos “deus” e “morte” seriam algo que não teriam tal significado, uma vez que são tratados em outro contexto na obra. Um exemplo claro para representar isto é a personificação da “morte”.

31 07 2009
Edise Freire

Saramago não nomeia os personagens, pois em sua obra, deseja generalizar certo grupo social de acordo com a atividade que exerce para com a sociedade, atribui maior importancia importância ao papel exercido, que talvez possa ser interpretado diferentemente por cada pessoa.

E em relação ao uso de letra minúscula nas palavras “deus” e “morte” talvez seja com a intenção de não dar importancia importância ao que significa, referir-se a algo casual, objeto comum, pelo qual todos terão acesso, ou igualando as duas coisas com níveis de importancia importância equilibrados.

1° C

31 07 2009
thiagohollanda

A ausência de nomes aos dos personagens servem para dar ênfase ao fato de que cada leitor pessoalmente pode imaginar-se na figura dos personagens, não importando os seus nomes e sim o papel que cada um desempenha dentro da sociedade. Retiraria a ênfase em não identificar os personagens, porquanto referindo-se “Morte e Deus” os personagens estariam qualificados, ou seja identificados. O uso da expessão “deus” significa algo “divino” e morte o estado de falência física do corpo.
1ºD

31 07 2009
karllakarimyrodriguesdesouza

Saramago não identifica seus personagens com um nome para tirar a individualidade de cada um. E outro motivo é não alterar o foco do texto. Bem, talvez Saramago tenha também planejado não identificar os personagens, para mostrar que a morte é algo superior ao ser humano.
Deus e Morte com letra minúscula quer demonstrar logo que tem pouca importância e o de letra maiuscula maiúscula logo representa duas entidades mais importantes.

Karlla Karimy 1 E

31 07 2009
alicesoutomaior

Saramago não coloca nomes em seus personagens, pois ele generaliza, não tratando das pessoas individualmente, ou até mesmo não quer querendo desfocar a mensagem que deseja transmitir. Talvez ele não sentiu necessidade de nomear as pessoas, pois isso não afetaria o leitor ao entender o livro.
Alice Souto Maior, 1º C

1 08 2009
Paulo Lima

Ao tratar os personagens e entidades com letras minúsculas, Saramago não quer diminuir o valor, tirar o que há de sagrado em Deus, igreja, mas a idéia ideia é universalizar, nivelar pondo a importância mais no contexto em que esses personagens encontram e interagem. O que há é a morte, a vida, o governo, a igreja, o ministro, o médico, o agente funerário, o filósofo…, todos com a mesma valoração valorização; nada é maior ou menor. Mais importante que “nomear” algo ou alguém, é entender as interrelações, as implicações, as dependências entre os seres e as coisas que permeiam esses seres.

Paulo Fernando 1ºD

22 10 2009
Wellington de Melo

Que acha do ‘apagamento’ dos nomes como o apagamento das identidades, das individualidades, José Mauro?

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