Realismo fantástico?

6 07 2009

Garimpando no Google o conceito de realismo fantástico, é comum encontrar algumas impropriedades, mas num site sobre Murilo Rubião, autor conhecido por seus contos de teor fantástico, vi esta definição:

Murilo Rubião

Murilo Rubião

“Entende-se por literatura fantástica (ou realismo fantástico) aquelas narrativas em que ocorrem fatos inconcebíveis, inexplicáveis, surreais e que produzem uma grande sensação de estranhamento nas pessoas. Normalmente, esta atmosfera de irrealidade tem uma dimensão alegórica, ou seja, por meio do absurdo e do inverossímil, ela alude à realidade concreta da existência, cabendo ao leitor escolher um sentido realista para eventos aparentemente sobrenaturais.”

Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/literatura/litcont/2004/10/04/000.htm

Achei muito boa a definição, principalmente ao refletir-se sobre a dimensão alegórica do realismo fantástico (para uma boa definição de “alegoria”, veja este artigo aqui). De fato, é comum – embora não essencial – que se note em narrativas fantásticas uma discussão que vai além do sobrenatural que fica na superfície da trama.

Neste momento podemos lançar algumas perguntas: seria “As intermitencias da Morte”, de Saramago, uma narrativa fantástica? Por quê? Indo mais além: é possível perceber alguma dimensão alegórica? Se sim, quais seriam as grandes metáforas presentes na narrativa que remetem a nossa realidade?

Difícil? Viver é difícil!

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63 responses

6 07 2009
brunotmg

Sim, Porque as pessoas não pensam na morte como alguém mas alguém, mas sim algo então algo, então a idéia ideia principal do livro já causa uma idéia de estranhamento nas pessoas. Eu não percebi nenhuma dimensão alegórica (faz tempo que li o livro me corrijam se eu estiver errrado… >.<), pois, pelo menos eu, não consigo ver um sentido realista para a morte ter parado de matar.

9 07 2009
Wellington de Melo

Bruno, você deve entender a alegoria como uma grande metáfora estruturadora de um texto. Encontrar um ‘sentido realista’ não significa recolocar os eventos da narrativa na realidade, mas sim perceber os significados ocultos sob as camadas de “fantástico”. Por exemplo: em A metamorfose de Kafka, Gregor Samsa acorda num dia tendo se transformado “num inseto monstruoso”. Se você ler o livro, verá como ele vai entrando num processo de exclusão de todo o convívio social. Essa ‘inadequação’, esse ‘não pertencer a um lugar’, ‘sentir-se um estranho’ seria a grande alegoria de A metamorfose, não o fato simples de Gregor se transformar num inseto.

15 07 2009
Bruno Tavares 1ºD

Refazendo o tópico…
Sim, Porque as pessoas não pensam na morte como alguém, mas sim algo, então a ideia principal do livro já causa uma idéia de estranhamento nas pessoas. Percebi uma dimensão alegórica no motivo da morte ter parado de matar (pois quando alguém é ignorado tenta mostrar que ele existe.)

Valeu pela explicação Wellington, ajudou bastante xP

21 07 2009
Letícia

“As intermitências da Morte” de José Saramago é sim uma narrativa fantástica porque na história acontecem coisas que seriam impossíveis de acontecer no nosso dia-a-dia, como as pessoas deixarem de morrer. Isso basta para deixar o leitor bem surpreso e confuso.
Eu acredito que é possível sim perceber uma dimensão alegórica. Acho que por debaixo de toda essa narrativa, o propósito de José Saramago era usar a literatura como objeto de denúncia, de crítica à uma sociedade que é manipulada e explorada pelos setores sociais, políticos, econômicos e até religiosos. A decisão da morte de parar de matar gerou diversos problemas na sociedade capitalista de hoje, onde todo mundo tem interesse de se dar bem sem se preocupar com os outros. E isso tudo nos faz refletir se vale à pena mesmo querer viver pra sempre ou se revoltar com a morte de alguém querido, afinal um dia todo mundo tem que morrer.

22 07 2009
carolinambat

Sim,o O livro de Saramgo pode ser considerado uma literatura fantástica pois produz um estranhamento no leitor,tanto na forma de escrever quanto no tema do livro. Ao falar em morte, já há um estranhamento no leitor, pois por ser um tabu,as pessoas tem receio a ler o livro.
Há sim uma dimensão alegórica pois não é de acordo com o real a morte parar de matar, isso só aconteceria em uma ficção, é contra o verdadeiro.

22 07 2009
Malu Câmara

Sim,as As intermitências da morte” concerteza com certeza é uma narrativa fantástica, bem, no No livro Saramago ponhe põe a morte como um ser, não exatamente um humano, mas um ser que pode falar, tomar decisões, e até mesmo se apaixonar.. então Então, com isso ele faz uma “demonstração” de como seria o mundo sem a morte, e no livro ele coloca lança o olhar da morte diante disso, e o olhar que nós teriamos (generalizando), então Então bem, ele faz uma alegoria, querendo ou não, dando a à “morte” vida, e assim, mostra como seria o mundo sem a morte, pois a maioria das pessoas sempre ficam se perguntando “porque existe a morte?”, e dizem que querem viver pra sempre, então. no No livro Saramago mostra que seria um caos o mundo sem a morte, então o. O livro não só mostra uma época em que a morte resolveu para parar de “trabalhar”, é muito além disso!

22 07 2009
Malu Câmara

Maria Luiza Câmara 1ºE

22 07 2009
Renato Machado Farias

Espero ter entendido o que se pede nesse tópico…
Acho que “As intermitências da Morte” é uma narrativa fantástica já que a morte é personificada, isso é irreal. Na minha opinião a grande alegoria da história é representada pela morte que é sempre indesejada pelas pessoas, como consequência disso ela se revolta com a sociedade e começa uma greve para provar o quanto é importante o seu “trabalho” para evitar o caos.

22 07 2009
Wellington de Melo

Boa observação sobre a alegoria. Quanto ao fantástico, Harry Potter seria realismo fantástico?

22 07 2009
Wellington de Melo

Malu,

Primeiramente, você deve ter mais atenção à concatenação de ideias, bem como à ortografia. Segundo, observe que não é o fato de dar “vida à morte” que faz do livro uma narrativa de ‘realismo fantástico’. Não devemos confundi-lo com a ‘literatura fantástica’, porque aqui entra muita coisa. Você diz: “é muito além disso!”. O quê?

22 07 2009
Wellington de Melo

Carolina,
O estranhamento não pode ser simplesmente estilístico. Ou seja, não é por achar estranha a maneira de Saramago escrever que digo que sua literatura é fantástica. Mais uma vez reitero a diferença entre ‘literatura fantástica’ e realismo fantástico. O realismo fantástico acontece em cenários cotidianos. O senhor dos aneis se passa na Terra Média, dentro de um universo completamente estranho e fantástico. Seria realismo fantástico esse último?

22 07 2009
Wellington de Melo

Letícia.0
Acho que o centro é composto por duas expressões: coisas impossíveis e o dia-a-dia. Essas coisas impossíveis são “introduzidas” numa narrativa como algo natural, que causa estranhamento aos personagens mas não tanto quanto ao leitor. A reação das personagens é outra chave para identificar o realismo fantástico. Como agem as personagens diante da surpresa? Aqui, fica difícil diferenciar “realismo fantástico”, “literatura fantástica” e “ficção científica”. Coisa para outro tópico.

Quanto a seu comentário sobre a alegoria, acho que foi muito feliz. Essa é a essência de qualquer alegoria: lançar um olhar mais além da superfície do texto. Esses questionamentos que você levantou para mim são latentes na narrativa, sim.

22 07 2009
Wellington de Melo

Brunão.

Acho que no caso da alegoria, esse aspecto que você mencionou é uma parte, mas não o todo. Pode haver sim essa metáfora, mas vai além. Dá uma sacada na resposta de Letícia. Ela quase esgotou esse tópico. Me falta alguém pra melhorar a coisa da definição de realismo fantástico. Recomendo que leiam pela net definições para fundamentar melhor. Podem até citar trechos, colocando o endereço. Abraço.

23 07 2009
Malu Câmara

Wellington, o que eu quero dizer com “muito além” é que tipo, o livro só não quer dizer que a morte parou de “trabalhar”, ele quer criticar vários fatores politicos-sociais, por exemplo, no livro Saramago critica a igreja, então é isso que eu quero dizer com “muito além”!

24 07 2009
Augusto

Sim. As intermitencias da morte “intermitências da morte”, é um livro em que jose saramago José Saramago usa a morte como alguma coisa ou alguem alguém que pode conseguir tudo o que quer, e tomar decisões por conta própria. Apesar da leitura dificil difícil que esse livro representa, isso se torna perceptível. Esse livro concerteza com certeza contém uma narração alegórica, pois como é que a morte consegue tudo, e alem do mais, muitas coisas estão um pouco fora da realidade no livro, e para saber quais são, só lendo o livro.

Augusto Paniquar de Souto 1°D

25 07 2009
Alexandre Amorim

“As intermitências da morte” é um livro de realismo fantastico fantástico por tratar a morte como um ser como qualquer outro humano so que seu trabalho é matar, coisa que não existe (até que me provem o contrário). Já a dimenção dimensão alegórica tem um pensamento diferente em relação ao texto: Alegoria é usar uma metáfora para criticar ações humamas no final. O livro de saramago Saramago é um pouco diferente. Ele se utiliza de uma coisa irreal para tratar como o ser humano agia diante de tudo em sua volta, ou seja, o fim da morte. Concluindo: Não encontrei uma dimenção alegórica propriamente dita.

26 07 2009
julianapitta

“As Intermitências da Morte” pode sim, ser considerada uma narrativa fantástica, de acordo com a definição dada por Murilo Rubião, já que o livro de Saramago trata da morte como um ser que tem sentimentos e que transita pelo mundo, e isso não é algo que faz parte da realidade das pessoas, para nós a morte é apenas algo que faz parte do ciclo vida, ela simplesmente existe, é apenas um acontecimento que faz parte da vida. Sim, o modo de como a morte parou de fazer o seu “trabalho”, ela não apenas parou de trabalhar, ela estava mostrando a sua importância, já que as pessoas consideram a morte como um infortúnio, e muitas vezes não a vêem como algo que acontece a todos e que é fundamental para a continuação da vida. As grandes metáforas presentes seriam quando a morte para de trabalhar e causa um transtorno na vida de todas as pessoas de um país e quando ela “se torna” uma pessoa e acaba se apaixonando.

Juliana Camboim Pitta 1 “A”

26 07 2009
Letícia

“O realismo fantástico tem por objetivo criar, através de elementos e acontecimentos extraordinários, o irreal sob uma ótica ordinária e comum, em um tempo geralmente cíclico e não-linear; o estilo procura, através de metáforas e situações que não são possíveis em nossa realidade, criticar e refletir através da psicologia e realidade humanas, utilizando elementos como misticismo, religiosidade, folclore e magia. Tais elementos causam no leitor sentimentos e emoções obscuras e inquietantes, onde histórias, algumas macabras e outras bem humoradas, provocam sensações diferentes graças à descoberta do desconhecido.”

Disponível em: http://blog.meiapalavra.com.br/2008/07/27/murilo-rubiao-e-o-realismo-fantastico/

Então o realismo fantástico seria todos esses acontecimentos impossíveis em uma narrativa, de modo que provoquem mais estranhamento nos personagens. Para o leitor aquilo tudo não provoca tanto estranhamento assim. São sensações diferentes. O autor relata tudo aquilo que é, aparentemente, inverossímil, inusitado e mágico de uma maneira à tornar tudo tão real e possível quanto aquilo que nos parece lógico e cotidiano.

O leitor precisa procurar pelo sentido daquilo tudo. O que tem debaixo de toda essa dimensão alegórica ? Será que isso que está acontecendo com os personagens não tem propósito algum ?

Realismo fantástico é o interesse de mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. É, sobre tudo, uma atitude frente à realidade.

Letícia Pina 1B

27 07 2009
julianapitta

Desculpe professor, mas acidentalmente coloquei a minha turma errada, não sou da “A”, mas sim da “E”.
Juliana Camboim Pitta

27 07 2009
Wellington de Melo

Entendi. Mas a análise ainda ficou meio vaga. Por que não cita um fragmento, para clarear mais a coisa?

27 07 2009
Wellington de Melo

Perfeito, Letícia. Não esqueça de cita a fonte da Wikipedia. Abraço!

27 07 2009
Wellington de Melo

Alexandre.

A metáfora em uma narrativa deve ser entendida de maneira distinta da que encontramos em poesia.

27 07 2009
Maria Isabella

O que Saramago que quer passar a respeito dos personagens é apenas a função que cada um e não o nome tem (não tem muita importância). Ele prefere chamar os personagens de acordo com o que cada um é, como: jornalista, primeiro ministro, médico, etc… Porém Saramago é diferente de vários outros escritores, pela sua forma de diversificar suas histórias.

Maria Isabella – 1ºF

28 07 2009
Kevin Melo Accioly

É claro que a história do livro se trata de uma narrativa fantástica, afinal, a morte deixar de matar é algo inexplicável e, na vida real, impossível. Porém a forma como Saramago trata do tema é diferente do sonho de todos: não apenas a morte deixar de matar, mas a juventude eterna e se curar de qualquer enfermidade. Isso causa estranhamento por parte das pessoas, uma característica da narrativa fantástica. Se ao menos as pessoas continuassem na condição atual, o caos seria menor, e a história seria previsível.

Existe sim a dimensão alegórica, pois o autor quer com o livro, nos passar uma mensagem. As diversas situações intrigantes, como mandar ou não um parente a beira da morte pra fronteira, serve pra mostrar o verdadeiro caráter das pessoas. A bola de neve do caos cresce, e medidas desesperadas, e muitas vezes, desumanas, surgem pra tentar manter a ordem, porém, não são suficientes (como tornar obrigatório enterro dos animais e os novos dogmas criados pela igreja). Assim surgem as diversas falhas do governo, dos setores econômicos, da religião e das pessoas.

28 07 2009
Márcia

Certamente que é, já que o acontecimento da morte [como sendo alguém, que tem sentimentos] parar de matar as pessoas é um fato totalmente surreal. Esse acontecimento causa estranhamento nas pessoas, é inconcebível, inexplicável, justamente como se dá uma narrativa fantástica.

Como grande metáfora, temos o fim do trabalho da morte. Nós, mesmo sabendo que a morte faz parte do ciclo de nossas vidas, nem sempre a aceitamos. Choramos, entramos em depressão, já que não sabemos o que nos aguarda. Desejamos não morrer, desejamos que nossos entes queridos também não morram. Essa narrativa faz a gente perceber que esse desejo que nós temos [o de não morrer] é totalmente egoísta e que se se concretizasse, causaria enorme caos na sociedade, além de trazer mais sofrimento para aqueles que nós amamos. Além da falência de muitas instancias da sociedade, ainda teríamos uma população que envelheceria infindamente, doenças se alastrando. Agora, do ponto de vista mais frio, não seria tão ruim para a medicina, já que eles poderiam realizar diversos testes [e mesmo que não fossem a solução, não matariam o paciente], e talvez com o tempo, eles achem a cura para determinadas doenças.

Márcia Barros C. Melo – 1º E

28 07 2009
Guilherme França 1ºA

“As intermitências da morte” é uma narrativa fantástica. O livro não trata a morte como o fim da vida, mas sim como “um ser” que faz parte do dia-a-dia das pessoas. Isso é um fato inexplicável e inconcebível e que fazem faz as pessoas pensarem sobre o assunto de outra maneira. A dimensão alegórica que percebi no livro, foi a idéia de que se a morte não fazer mais “seu trabalho”, o mundo iria piorar tanto que as pessoas fariam de tudo para que a morte voltasse. Isso não é uma coisa comum, muitas pessoas querem de qualquer maneira evitar a morte, porem porém sem saber as conseqüências consequências disso.

28 07 2009
Guilherme França

“As intermitências da morte” é uma narrativa fantástica. O livro não trata a morte como o fim da vida, mas sim como “um ser” que faz parte do dia-a-dia das pessoas. Isso é um fato inexplicável e inconcebível e que fazem as pessoas pensarem sobre o assunto de outra maneira. A dimensão alegórica que percebi no livro, foi a idéia de que se a morte não fazer mais “seu trabalho”, o mundo iria piorar tanto que as pessoas fariam de tudo para que a morte voltasse. Isso não é uma coisa comum, muitas pessoas querem de qualquer maneira evitar a morte, porem sem saber as conseqüências disso.

29 07 2009
Tiago Moraes

Sim, eu acho que essa narrativo seja fantastica, pois nao existe a morte na forma de um ser, que vem a mata as pessoas, ela ja é uma coisa natural de vida de todos.
No meu ponto de vista existe sim uma dimensao alegorica, pois a morte nao é um ser para ter desejos proprios. E neste caso ela estava meio revoltada, pois sempre que alguem morria ficavam a culpando, sendo esse o meio que ela achou para sentirem sua falta

1º ano “B”

29 07 2009
biaamenezes

“As intermitências da morte” é sim uma narrativa fantástica, pois acontecem coisas impossíveis de acontecer na vida real ( a morte virar uma pessoa, por exemplo).
Acredito que a idéia do autor, ao escrever um livro em que a morte vira uma pessoa e para de matar, era a de fazer a sociedade repensar a forma de ver muitas coisas que acontecem na vida. O autor nos traz, em “As Intermitências da morte” uma outra forma de ver a morte, sobre outro ponto de vista, mostrando que “todas as situações tem dois lados”, digamos assim.

1º E

29 07 2009
marinapedrosa

Pela definição, no início do post, sobre o realismo fantástico, “As intermitências da morte” se encaixaria muito bem nesta classificação. O que seria tão inconcebível, inexplicável, surreal, absurdo, quanto à “greve” da morte? No mínimo, eu diria que é muito estranho ninguém, em certo país, morrer.

Para confirmar o realismo fantástico do livro, as alegorias entram em cena. A própria “greve” da morte eu classificaria como uma alegoria, pois, Saramago, com este fato, consegue mostrar muito da natureza dos seres humanos, especificamente, da nossa sociedade contemporânea: o egoísmo, o materialismo, a corrupção, entre outras facetas da humanidad que desejaríamos nunca vê-la.

Com isso, nós transportamos um fato tão impossível, como o descrito, para uma ótica mais realista, presente em nossas vidas. Este fato, nos faz refletir sobre a importância da morte, ciclo natural da vida, para a própria manutenção da vida e da ordem na nossa sociedade. Sem conta que no livro, ele abre uma hipótese: a existência de várias mortes. Os sentimentos, a alma, também morrem, e no seu lugar outros nascem, e como a morte física, é necessária a sua existência, por mais que seja doloroso.

E as cartinhas da morte? Avisando que a pessoa vai morrer em uma semana, é muita cortesia da morte, não? Será que se soubéssemos que íamos morrer, em uma semana, seria menos doloroso? Então, estas pontes que fazemos entre o inimaginável, do livro, e a nossa vida, torna esta obra de Saramago um realismo fantástico, que, particulamente, é uma maneira muito inteligente e saudável de denunciar a realidade e nos fazer refletir sobre a nossa vida e o que é a morte.

Qualquer equívoco, ou falta de clareza, podem falar.

Marina Pedrosa 1 A

29 07 2009
cassandra14

As intermitências da morte de José Saramago é uma narrativa fantástica, porque os acontecimentos narrados fogem de um, padrão real para nós, pois seria impossível na nossa sociedade a morte deixar de matar ou de existir. É possível sim nos percebermos alguma dimensão alegórica, pois nos faz questionar como a morte é tão,
indesejada para nós que acaba se tornando a pior coisa que pode se acontecer a um ser humano, e o livro mostra o caos que seria se a “morte deixasse de matar”. Fazendo que agente reflita e comece a aceitar mais a morte. As grandes metáforas seriam: a morte ter parado de matar tornando-a assim um personagem da história, e também o “estado de vida suspensa” ou de “morte parada”.

Cassandra Lopes 1º “F”

30 07 2009
Catarina Pinheiro - 1 A

o realismo fantástico está sim presente no livro. No momento que o leitor passa a “entrar”, como personagem, no livro pode considerar uma realidade mas existem muitos fatores que fazem com que as pessoas definam o livro como ficção e sempre questionem se aquilo pode acontecer.
Existe uma parte do livro que conta uma história que acaba acontecendo nos dias de hoje e isso faz com que as pessoas se aproximem cada vez mais do livro como se realmente estivessem presenciando aquela cena.
Vamos relembrar essa história:
“Era uma vez, no antigo país das fábulas, uma família em que havia
um pai, uma mãe, um avô que era o pai do pai e aquela já
mencionada criança de oito anos, um rapazinho. Ora sucedia que o avô já
tinha muita idade, por isso tremiam-lhe as mãos e deixava cair a comida da boca quando estavam à mesa, o que causava grande
irritação ao filho e à nora, sempre a dizerem-lhe que tivesse cuidado
com o que fazia, mas o pobre velho, por mais que quisesse, não
conseguia conter as tremuras. pior ainda se lhe ralhavam, e o
resultado era estar sempre a sujar a toalha ou a deixar cair comida ao
chão, para já não falar do guardanapo que lhe atavam ao pescoço
e que era preciso mudar-lhe três vezes ao dia, ao almoço, ao jantar
e à ceia. Estavam as cousas neste pé e sem nenhuma expectativa de
melhora quando o filho resolveu acabar com a desagradável
situação. Apareceu em casa com uma tigela de madeira e disse ao pai,
A partir de hoje passará a comer daqui, senta-se na soleira da porta
porque é mais fácil de limpar e assim já a sua nora não terá de
preocupar-se com tantas toalhas e tantos guardanapos sujos. E assim
foi. Almoço, jantar e ceia, o velho sentado sozinho na soleira da
porta, levando a comida à boca conforme lhe era possível, metade
perdia-se no caminho, uma parte da outra metade escorria-lhe
pelo queixo abaixo, não era muito o que lhe descia finalmente pelo
que o vulgo chama o canal da sopa. Ao neto parecia não lhe
importar o feio tratamento que estavam a dar ao avô, olhava-o, depois
olhava o pai e a mãe, e continuava a comer como se não tivesse
nada que ver com ocaso. Até que uma tarde, ao regressar do
trabalho, o pai viu o filho a trabalhar com uma navalha um pedaço de
madeira e julgou que, como era normal e corrente nessas épocas
remotas, estivesse a construir um brinquedo por suas próprias
mãos. No dia seguinte, porém, deu-se conta de que não se tratava
de um carrinho, pelo menos não se via sítio onde se lhe pudessem
encaixar umas rodas, e então perguntou, Que estás afazer. O rapaz
fingiu que não tinha ouvido e continuou a escavar na madeira com
a ponta da navalha, isto passou-se no tempo em que os pais eram
menoS assustadiços e não corriam a tirar das mãos dos filhos um
instrumento de tanta utilidade para a fabricação de brinquedos.
Não ouviste, que estás a fazer com esse pau, tornou o pai a
perguntar, e o filho, sem levantar a vista da operação, respondeu, Estou a
fazer uma tigela para quando o pai for velho e lhe tremerem as
mãos, para quando o mandarem comer na soleira da porta, como fizeram ao avô. Foram palavras santas. Caíram as escamas dos
olhos do pai, viu a verdade e a sua luz, e no mesmo instante foi
pedir perdão ao progenitor e quando chegou a hora da ceia por suas
próprias mãos o ajudou a sentar-se na cadeira, por suas próprias
mãos lhe levou a colher à boca, por suas próprias mãos lhe limpou
suavemente o queixo, porque ainda o podia fazer e o seu querido
pai já não. Do que veio a passar-se depois não há sinal na história,
mas de ciência mui certa sabemos que se é verdade que o trabalho
do rapazinho ficou em meio, também é verdade que o pedaço de
madeira continua a andar por ali. Ninguém o quis queimar ou
deitar fora, quer fosse para que a lição do exemplo não viesse a cair
no esquecimento, quer fosse para ocaso de que a alguém lhe
ocorresse um dia a ideia de terminar a obra.”

Catarina Pinheiro – 1A

30 07 2009
nando27118

No livro “As intermitências da Morte” a morte ganha vida, isso é surreal. Ela ganha vida a partir do momento em que deseja provar sua importância na sociedade, fazendo uma esécie de greve. Nesse caso o livro é sim uma narrativa fantástica pois apresenta as caracteristica necessarias.
Fernando 1D

30 07 2009
Catarina Farias

O livro “As Intermitências da Morte” pode sim ser considerada um narrativa fantástica pois, em sua obra José Saramago concretizou uma cidade em que as pessoas não morriam e por isto hospitais ficavam super lotados e aconteciam invasões em territorios vizinhos entre outros problemas.Por não possuir lógica o fato de ninguém mais morrer e mesmo assim o leitor ao ler sentir a historia real a obra é classificada como tal.

30 07 2009
taisst

“As intermitências da morte” , de Saramago é uma narrativa fantástica pois a morte é interpretada como um ser que pode se comunicar e se apaixonar e que decide parar e continuar a matar.Sim ele utiliza alegorias pois ele quer mostrar a importância da morte por meio de sua pausa.Ele fazum tipo de comparação de como seria se a morte parasse para nós imaginarmos e assim compararmos cmo é atualmente.

Tais Santiago Tavares 1A

31 07 2009
Renata Couceiro

Sim, o livro “As intermitencias da Morte” é uma narrativa fantástica, afinal, durante a sua historia ocorrem fatos inexplicáveis, que produzem uma grande sensação de estranhamento. Durante a história também é possível identificar dimensões alegóricas, como a questão da personificação da morte.
1ºA

31 07 2009
Rebeca Mota

“As Intermitências da Morte” é realismo fantástico, pois retrata a morte como alguém, que tem sentimentos, e não como algo que faz parte da nossa vida. Na nossa realidade, temos a morte representada como algo, uma fase que todos nós vamos passar um dia, como já foi dito antes, essa diferença, deixa a leitura ainda mais interessante.

1ª A

31 07 2009
hannahriff

Como foi dito por muitos, também concordo em afirmar que “As intermitências da morte” é sim, um realismo fantástico. Pela própria definição dada pelo autor Murilo Rubião, “[…] aquelas narrativas em que ocorrem fatos inconcebíveis, inexplicáveis, surreais e que produzem uma grande sensação de estranhamento nas pessoas. […]” Vejamos, lende lendo um livro tal como as intermitências, onde há pessoas que falam com a morte, onde a morte fala, se comunica mandando cartas, e anda pelo mundo em forma de gente, é estranho e surreal, visto que morrer faz parte do ciclo da vida, e creio que seja improvável ou até mesmo impossível, que as pessoas deixem de morrer, ou que a morte mande cartas avisando as pessoas que elas estão prestes à morrer, como é feito no livro de Saramago.

Não estou tão convicta da afirmação que irei fazer agora, talvez eu esteja errada, mas eu acho que há sim dimensões alegóricas no livro. Como Saramago utiliza-se muito da ironia, talvez eu possa estar me confundindo, mas pelo que eu entendi, o autor fala uma coisa para expressar outra, e deixar que os leitores mais atentos notem esse detalhe.
Bom, eu sou meia desilgada desligada e talvez não leia com tanta atenção, mas pude notar que Saramago às vezes não quer expressar apenas o que está escrito no livro, ele deixa a pessoa subentender o que ele quis passar, ou ter várias visões sobre um mesmo fato narrado por ele.

Hannah Riff, 1ºA

31 07 2009
Bruna Raphaela 1D

Na minha opnião não restam dúvidas de que no livro Interminencias da morte,de Saramago,nos deparamos com uma narrativa fantastica.O autor por meio desse realismo procura nos levar a uma reflexão (sobre a vida).Penso que o objetivo de Saramago fosse levar o leitor para outro mundo,para que assim no termino da leitura da obra,quando o leitor voltase a realidade e buscase o sentido para tudo aquilo que ele leu,pudesse pensar na vida e qual o sentido dessa!

Quanto a pesquisar pela net outras definições para realismo fantastico,acabei me decepcionando não encontrei nada muito satisfatório e acabei apelando para livros de literatura,esses apresentam topicos sobre realismo mas ao ler fiquei na duvida se realmente teria a ver com o que estamos trabalhando!

31 07 2009
valeriauchoa

“As Intermitências da Morte” é sim uma narrativa fantástica, pois ela trás traz uma estória história extraordinária, mas que de fato é irreal. Na história de Saramago, a morte transita no mundo dos humanos e ainda se torna uma humana que é capaz de se apaixonar. Sem esquecer que ela é interrompida e sendo assim as pessoas deixam de morrer. A alegoria é uma figura de linguagem que vai além das comparações de metáforas. Podemos ver elas na estória história, por exemplo, quando a morte se apaixona depois de virar uma pessoa. Ou até mesmo quando ela se interrompe e o mundo passa a ver que ela é essencial, mesmo em partes sendo maldosa!

Valéria Uchôa 1º C.

31 07 2009
eduardo110

O livro pode ser considerado um realismo fantastico fantástico porque ele cria a morte com um personagem vivo que está vivo sosó para fazer o seu trabalho que é matar os outros.
Existe certamente uma dimensão alegórica, pois ele trada na história um fato imposivel impossível de acontecer.

Eduardo Arcoverde – 1º F

31 07 2009
livia furtado

Na minha opinião o livro ‘Intermitências da morte’ pode sim ser considerado uma narrativa fantástica, já que como sabemos, a morte não é um ser que sente, que vê, observa as coisas e que não pode então, deixar de exercer a sua ‘função’ por conta de um determinado motivo.
E o autor faz sim uma alegoria na obra, quando ele resolve mostrar o que aconteceria se de repente todos pudessem viver para sempre, o que não seria tão perfeito como é de costume se pensar. Podemos atribuir a isso também o fato do ser humano se aproveitar de cada mínimo que nos aparece por conta do dinheiro, uma crítica feita por José Saramargo.

Livia Furtado – 1º ano A

31 07 2009
ulisses batista de oliveira salzano ferraz

as intermitências da morte As Intermitências da Morte é um realismo fantástico, pelo simples fato de o livro transmitir, que a morte deixará de existir, ou seja, de trabalhar, o que não é muito natural. Tudo isso gerando um estranhamento nas pessoas.

31 07 2009
Mariana Araújo

O realismo fantástico tem o intuito de criar narrativas com histórias impossíveis e estranhas para o leitor. Eu considero “As Itermitências da Morte” uma narrativa fantástica, pois de uma forma nunca vez vista traz a morte como protagonista num romance. Essa narrativa tem ou gera dimensões alegóricas que vai caber ao leitor julgar e entender de acordo com a melhor maneira que acha de entender este livro, com fatos e criaturas absurdas.
Mariana Araújo Pereira- 1 ano “E”

31 07 2009
Fabiana Veloso

Sim, as intermitências da morte é uma narrativa fantástico, pois no livro o autor coloca a morte capaz de ter desejo e isso é mentira.E nessa narrativa há uma alegoria pois a morte nunca deixaria de matar,pois a morte é algo que é preciso no nosso mundo todos um dia irão morrer.

Fabiana Veloso 1° F

31 07 2009
Márcia Barros C. Melo

Certamente que é, já que o acontecimento da morte (como sendo alguém que tem sentimentos) parar de matar as pessoas é um fato totalmente surreal. Esse acontecimento causa estranhamento nas pessoas. É inconcebível, inexplicável, justamente como se dá uma narrativa fantástica.

Como grande metáfora, temos o fim do trabalho da morte. Nós, mesmo sabendo que a morte faz parte do ciclo de nossas vidas, nem sempre a aceitamos. Choramos, entramos em desespero, já que nao não sabemos o que nos aguarda, ou o que aguarda nossos entes queridos. Desejamos não morrer, e também desejamos que as pessoas que amamos não morram. Essa narrativa faz a gente perceber que esse desejo que nós temos (o de não morrer) é totalmente egoísta e que se este realmente se concretizasse, causaria enorme caos na sociedade, além de trazer mais sofrimento para nossos amados.
Além da falencia falência de muitas instâncias da sociedade, teríamos uma população que envelheceria infindamente, até virar pó (mesmo assim, não morrendo, imagina!), além de todas as doenças que se alastrariam.
Porém, se olharmos de um ponto de vista mais frio, não seria tão ruim para a medicina, já que para todas as doenças poderiam ser realizados testes, e estes (mesmo que dando errado) nao não causariam a morte de seus pacientes. Talvez, achassemos cura para várias dessas doenças. Muitas brigas iam acontecer por isso.

1º E

31 07 2009
thiagohollanda

Sim. Porque a narrativa parte de uma hipótese surreal, inconcebível, o fato da morte inexistir na vida das pessoas.
Sim. Porque apesar do temor que as pessoas têm da morte a narrativa demonstra que a morte faz parte e é ao mesmo tempo necessária.

1º D

31 07 2009
henriquefreire

– ‘As intermitências da morte’ é uma narrativa fantástica, pois há críticas e reflexões através da psicologia e realidade humanas, com base no uso de metáforas.
– Saramago mostra os podres da sociedade através de uma condição impossível de se ocorrer, mas esse lado perverso da sociedade é como se houvesse bem lá no fundo de cada pessoa no plano real.
– Uma maneira de retratar a morte foi personificando-a, que com um bom uso de metáforas, ela é interpretada como um esqueleto que possui uma manta e uma foice. E seus procedimentos com relação ao homem é uma coisa impossível de ocorrer, mas é necessário esse fato para desmascar a sociedade.
– E ninguém se lembrou da maior metáfora de todas. Quando há uma passagem no livro em que Deus também é citado nas mesmas condições da morte, não as mesmas, mas parecido. É o seguinte, deus poderia se manifestar aos homens que nem a morte o fez, mas não iria se manifestar, não porque não queria, mas por causa de que não saberia com que forma se manifestaria, pois haveria a possibilidade de o homem não reconhecer-se a sua imagem e semelhança. Mas como Deus não saberia disso, já que Ele é onipotente?

Henrique Freire 1ºD

22 10 2009
Wellington de Melo

Realmente a bibliografia não é ampla, Bruna Raphaela. Boa reflexão sobre o realismo fantástico.

22 10 2009
Wellington de Melo

Devemos considerar também, Guilherme França, como as pessoas reagem aos problemas causados pela ‘não-morte’. Como acabam se tratando por conta disso.

22 10 2009
Wellington de Melo

Hannah. A alegoria tem mais a ver com a metáfora do que com a ironia, muito embora possa ser uma metáfora irônica! 😀

22 10 2009
Wellington de Melo

Tiago Moraes,
É importante que consulte o que é ‘alegoria’ quando tratamos de figuras de linguagem.

22 10 2009
Wellington de Melo

Não é só por conta do ‘impossível’ que um texto é fantástico, mas porque o fantástico aparece no meio do cotidiano. Ficção científica, em certo modo, também traz temas ‘impossíveis’ (que muitas vezes se tornam realidade, como a vídeo-conferência), mas a temática não é ‘disfarçada’ no cotidiano.

22 10 2009
Wellington de Melo

Boa análise! Só lembraria um detalhe: o realismo fantástico normalmente é ‘camuflado’ dentro da realidade. As coisas impossíveis não são questionadas pelos personagens, mas as consequências delas sim.

22 10 2009
Wellington de Melo

Ver comentários que fiz a outros posts sobre a ‘camuflagem’ do fantástico dentro do real.

22 10 2009
Wellington de Melo

Boa citação. Faltou só aprofundar-se mais na análise, Catarina Pinheiro.

22 10 2009
Wellington de Melo

Rebeca Mota, seu comentário repete o que já foi dito por outros.

22 10 2009
Wellington de Melo

Renato Couceiro,

Seu comentário repete o que já foi dito por outros.

22 10 2009
Wellington de Melo

Taís Santiago.

Seu comentário repete o que já foi dito por outros.

22 10 2009
Wellington de Melo

Irineu.

Surrealismo e Realismo Fantástico são coisas diferentes. A imagem do vampiro tampouco se associa à do realismo fantástico, caindo muito mais na literatura fantástica em si. Veja comentários meus anteriores sobre o fantástico misturado ao real.

22 10 2009
Wellington de Melo

Catarina Farias,

Seu comentário repete, de certa forma, o que já foi dito por outros.

22 10 2009
Wellington de Melo

Fernando,

Seu comentário é superficial.

22 10 2009
Wellington de Melo

Matheus Ciarlini.

Boa análise, mas cuidado com a correção ortográfica, que pode tirar a credibilidade de seu textos em outras situações.

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